Em português

Este blog apresenta a nossa colaboração e os resultados do projeto de pesquisa “Narrativas da Água: exploração cultural comparada da cidadania hídrica digital no Reino Unido e no Brasil”, financiado por Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Brasil, e Universidade de Warwick, Reino Unido. O projeto se desenvolve entre 2015 e 2017 e envolve a equipe trabalhando em conjunto acerca de temas e disciplinas para explorar as conectividades entre histórias, narrativas, anedotas e mediações digitais sobre a água no Estado de São Paulo e no Reino Unido. O foco se dá sobre a comunicação digital, conversas de mídias sociais e as culturas de mídia interativa.
A equipe é composta por Danilo Rothberg (Unesp – Universidade Estadual Paulista) e Joanne Garde-Hansen (Warwick). Eles têm trabalhado juntos desde que se conheceram no workshop “Beyond the Digital”, do programa Researcher Links realizado por Fapesp/British Council na USP (Universidade de São Paulo), co-organizado por Gilson Schwartz e Joanne Garde-Hansen. Para saber mais sobre esta parceria catalisadora, clique aqui para ter acesso à edição de março  de 2016 da Revista Fapesp, que celebra a colaboração estratégica entre a agência de financiamento brasileira e universidades do Reino Unido e conselhos de pesquisa.
O projeto “Narrativas da água” oferece uma oportunidade única para a troca de conhecimentos sobre a emergência do que estamos chamando de cidadania hídrica digital no Reino Unido e no Brasil. A cidadania hídrica já está sendo pesquisada no Reino Unido, através do projeto AHRC ‘Towards Hydrocitizenship’, liderado pelo Prof. Owain Jones, co-editor com Joanne Garde-Hansen de Geography and Memory: Explorations in Identity, Place and Becoming (2012). Precisamos estender essa ideia transnacionalmente e aprender uns com os outros sobre como usar as mídias digitais e sociais para conectar as pessoas à água e questões de escassez, e fazer isso através de ações de observar, analisar e pesquisar conjuntamente como as pessoas usam a mídia e tecnologia para se adaptar e serem resilientes. A cidadania hídrica digital será desenvolvida como um conceito e processo para oferecer expressões sociais e culturais distintas, mas interligados de viver com/sem e gestão de água.

O que queremos dizer com cidadania hídrica digital?

Estamos definindo cidadania hídrica digital como a circulação, coleta, recolhimento, expressão e (re)circulação de narrativas e conhecimento local de água, gerido/armazenado /compartilhado através de meios digitais por indivíduos, comunidades, empresas e partes interessadas na governança da água (como a Sabesp no Brasil ou a Environment Agency do Reino Unido). Um foco sobre o simbólico no que diz respeito ao ambiente físico pode oferecer oportunidades culturais comparadas de criação e organização de estruturas e metodologias para a pesquisa de experiências de adaptação ao lidar com os desafios trazidos por secas, inundações e outras interrupções no abastecimento de água.

Por que Brasil e Reino Unido?

Em termos de atributos chave, habilidades de leitura, criatividade de mídia e participação popular, o Brasil oferece ao cenário de pesquisa do Reino Unido uma vasta ecologia das técnicas de mídia digital para contar histórias, escutar com profundidade e dar voz aos marginalizados. Isto é particularmente importante no Reino Unido, porque as iniciativas políticas e o envolvimento da comunidade de cima para baixo nem sempre são bem-sucedidos em trabalhar com o público e compreender os valores culturais e sociais da água, de baixo para cima. O Brasil oferece acesso e exemplos de tecnologias sociais únicas, criativas, não ortodoxas, pragmáticas e econômicas em recursos para contar histórias da água. Para o Brasil, com seus complexos níveis macro, meso e micro de políticas de gestão da água (nacional, estadual, regional, metropolitano, bacia, ribeirinha, comunidade e escalas de bairros), o Reino Unido oferece exemplos de políticas coordenadas e nacionais de água e sua gestão. O recuo do Estado em ambos os países, no contexto de austeridade, pode significar que as comunidades criem os seus próprios meios de comunicação e seus próprios valores culturais sobre a água.